Luce passara toda tarde em seu quarto, não aguentava mais os pais falando tanto a ela sobre o baile e como precisava permanecer ali. Lógico, dava para se entender, todos naquele salão seriam vampiros e ela humana, ou ao menos pensava ser. Como sempre, Luce ia de contrário aos pais. Ela se olhou no espelho e começou a se arrumas, Pegou o vestido azul de seu armário. Ficara em frente ao espelho examinando-o em seu corpo enquanto davas giros lentos e dançantes, colocou os sapatos e o resto de seus acessórios, não podendo esquecer do cordão protetor de cristal. Calmamente pegou a máscara e fixou seu olhar nela. Com um sorrisinho um tanto malicioso brotou no rosto, deixou a mesma em sua cama e se direcionou a porta. Seria bom que ao menos alguém naquele imenso salão não sentisse obrigada a tapar parte de seu rosto. Transpassando a porta viu o salão por cima da elegante escadaria. Desceu degrau por degrau lenta e graciosamente. Magnus estava andando pelo salão lotado, cheio de mascaras e fantasias. Cada um alí tinha um sonho, um desejo. Mas, nem todos conseguirão realiza-los. A vida é assim, até mesmo sendo como os presentes, vampiros. Alguns foram falar com ele, todos felizes e sorridentes. Uma pequena moça veio em sua direção, era a Margareth. Não aguentava mais ouvir sua voz, ela o irritava mais que qualquer um alí. Escapou dela, indo para a varanda. O as fresco ajudou a clarear suas ideias, e pode pensar melhor. Foi então que ele a viu... A pequena e linda moça descendo as escadarias do Castelo, ela era deslumbrante... Magnus fixou seu olhar na dama que descia graciosamente a escadaria, vendo cada movimento de seu corpo. De repente, teve que desviar seu olhar, Margareth chegara, já falando e falando. Ele tentou ignora-la e continuar a olhar a jovem, mas ela era insistente. Pedindo sua atenção.
- Magnus, o que é que você tem? Eu to aqui falando a horas e você nem olha pra mim.
- Nada, Margareth. Nada.
- É algo sim, pra quem você tanto olha ? - Ela desviou seu olhar até a jovem que falava com um casal, que aparentava ser seus pais.
- É pra ela, que você tanto olha?
- Do que você tá falando, Margareth ? O Paul deve esta te procurando...
- Não, não tá... ele tá que nem você. Porque tá todo mundo me ignorando? - Ela continuou a falar, mas Magnus não a ouvia mais, só tinha olhos para a bela jovem.
Assim que desceu, Luce foi interrompida por Clarisse que tentava fazê-la subir novamente, antes que alguém visse. A garota apenas contonou os movimentos da mulher com agilidade. Revirando os olhos quando ela reclamava em seu ouvido mandando-a subir.
- Você enlouqueceu garota? - sibilou sua madrasta perto de sua orelha. Luce recuou um pouco com a voz agressiva.
- Não, não enloqueci, Clarisse - Retrucou Luce, encarando-a enquanto seu nome saia como uma palavrão da boca de Luce.
- Então volte para o quarto.
- Não vou voltar olhe... - Luce virou para a madrasta sem muita vontade tocando com a ponta do indicador a gargantilha em seu pescoço e voltou a dizer - Eu não sou tão ingenua. Eles não vão me machucar.
Clarisse poderia continuar reclamando e pedindo para que Luce voltasse ao quarto. Mas já era tarde um casal veio em direção a eles. Ambos elegantes em seus trajes pretos. A mulher com os belos cabelos loiros ondulados emoldurando a face jovial se aproximou dando um beijo no rosto de Luce, que por instantes congelou em seu lugar, quando a loira abaixou o rosto tocando a ponta do nariz gélido em seu pescoço. Luce se afastou por instinto e acenou com a cabeça para ambos. A garota com muita graça retribuiu os olhares e com educação respondeu todas as perguntas. Mesmo se assuntando, quando seu pai apareceu atras dela, sibilando ainda parecendo mais irritado "Conversaremos depois sobre isso. Você sabe onde isso vai parar..."
Magnus se afasta de Margareth, deixando-a sozinha. E foi em direção de Paul, que flertava com uma jovem. Magnus o chamou discretamente, sorrindo para a jovem. A sós com ele, Magnus diz com raiva:
- Paul, porque você trouxe a louca da Margareth? Ela não pára de enxer meu saco.
- Ah, meu querido, ela era mais um rosto bonito da nossa convensão, o que custava traze-la?
- O que custava? Ela tá pior que antes!
- Ah, cara. Relaxa!
Magnus se cansou da calma de Paul e saiu andando de cabeça baixa. Sua mascara o deixava invisivel para alguns, o que era bom. Parou perto de uma pilastra, e ficou lá, parado de cabeça baixa.Foi então que se viu ainda mais perto daquela bela jovem. Ela desviou o olhar do casal a sua frente por um instante e prestou atenção em um dos garotos. Ela reparou na máscara escura que usava e que cobria parte de seu rosto, deixando-a curiosa. Queria poder ver seus olhos, o que a máscara e a distancia atrapalhavam bastante.
- Sinto muito, tenho que ir lá pra fora. - Ela murmurou num tom baixo para o casal e voltou a olhar para Magnus. Sem saber quem ele era ou que queria ali.
Parecia nervoso, o que apenas deixou-a mais curiosa. E a fez se esquivar dos corpos dançantes do salão e encurtar ainda mais a distancia entre os dois. Contornou-o. Sabia com o que estava se metendo. Mas a curiosidade e o repentino desejo tomou conta dela então, sem conseguir se conter ela sussurrou baixo, sabendo que ele ouvia...
- Nada melhor para a raiva do que ar puro.- Ao dizer ela continuou caminhando.
Andou até fora da mansão e depois até o jardim, indo em direção ao antigo balanço, onde sua mãe verdadeira a empurrava quando viva. Luce se sentou ali, tocando levemente as flores que cobriam todos os ferros e a prata que havia naquele balanço. Passos a fizeram ter certeza que o rapaz a seguiu. Ele realmente a seguiu, andando atras dela. Ao vê-la se sentar naquele balanço antigo coberto de flores. Ficou alí parado por um tempo, observando-a. Ele se encantara completamente com sua delicadeza, com seu perfume que emanava de seus poros. Imerso em pensamentos, viu que ela o encarava.
- Porque falou comigo? Percebeu que te olhava? - perguntou ele, cansado do silencio.
Luce com um sorriso timido nos lábios pensou um pouco em sua resposta. Ela não havia percebido se ele a olhara ou não no salão. Ela apenas se encantou com algo nele. Ela suspirou e brincou com o pingente de cristal que parecia rubi pelo vermelho que emanava dele. Um brilho forte na cor de sangue que deixou Luce um tanto confusa. Ela se lembrou da pergunta e voltou a fitá-lo.
- Estava me olhando? - ela pergundou ficando séria. E então continuou - Eu apenas odeio zangadinhos no mesmo lugar que eu... - ela esboçou um sorriso brincalhão. - Qual seu nome rapaz?
Magnus sorri, desviando o olhar.
- Olhava sim, você está deslumbrante. - Ele se sentou em um banco, proximo ao balanço, de frente pra Luce. - Meu nome é Magnus. Sou lider da convensão de Vancouver. E você, como se chama? - Perguntou, encarando-a.
- Luce - respondeu fitando o rosto de Magnus, procurando os olhos que tanto desejava ver - É mais um daqueles que se glorifica por matar inocentes e por ser líder de uma familia de matadores sanguinários? - ela tentava manter a mente focada naquele momento e não lembrar de como sua mãe biológica havia sido morta. O quanto de sangue viu naquela horripilante madrugada.
Magnus ouviu aquelas duras palavras, observando seus olhos ficarem distantes.
- Não, não matamos ninguem. Pelo contrário, condenamos aqueles que o fazem. - Magnus a respondeu seguramente. Ele havia percebido algo em seu olhar, algo que a deixava triste. Magnus vê uma sombra aproximar-se. Era Margareth. Ela não desistiria tão fácil.
- O que tá fazendo aqui? Eu te procurei por todo lugar! - resmungou Margareth e Magnus desejou ser invisivel naquele momento e sair com Luce ao seu lado. Porem, só traria mais confusão.

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