Margareth se aproximou e viu a jovem sentada no balanço. Furiosa, olhou para Magnus e diz sibilante:
- Quem é essa Magnus? O que vocês estão fazendo aqui sozinhos?
Mas Magnus não a respondeu, apenas suspirou pesadamente, e observou o rosto confuso de Luce. Luce olhou para Magnus enquanto ele falava. Será que ele realmente seria diferente dos demais? Desde pequena ela se acostumou com a forma vampírica e sanguinária. Ela se lembrou de Clarisse Witch, sua atual presença feminina a segurando pelos braços, forçando-a ver a mãe ser morta por dezenas e dezenas de vampiros. Aquilo a maltratou durante anos. Luce ficou por um instante fitando o chão. Ela balançou a cabeça, tentando disperçar as imagens e voltou a olhar Magnus com algumas lágrimas vermelhas escorrendo pelo canto de seus olhos. As gotas de sangue ardiam enquanto se arrastavam, pareciam queimar sua pele, mas ela sabia que não fazia isso. Era só a mágoa queimando ao ser impulsionada involuntariamente a sair de dentro de seu corpo, para o exterior dela. Luce percebeu a presena de uma outra garota, era baixinho e seu cabelo castanho claro extremamente liso caia perfeitamente até os cotovelos.
Ela continuou fitando a garota um tanto assustada com seu olhar furioso.
- Desculpe, não sabia que tinha namorada do contrário não teria te trazido aqui... - Luce engoliu em seco os olhares e os possiveis pensamentos na bela e pequena garota ao lado de Magnus.
Sentindo o estomago embrulhar. Luce se levantou, se distanciando bastante dos dois, passando pelo labirinto onde costumava se esconder. Ela memorizara cada pedaço daquele labirinto conseguindo chegar ao outro lado rapidamente. Olhando o lago calmo com dois cisneis ao longe, juntos. Um ao lado do outro.
Magnus ao vê-la sair, ficou ainda mais furioso com Margareth. Ele não a aguentava mais, depois de todos esses anos, precisava dar um basta nisso. Essa era a hora. Ele não iria deixa-la estragar sua vida mais uma vez. Furioso, Magnus segurou no braço dela, olhando-a fixadamente.
- Margareth, pare de me perseguir. Estou cansado de suas confusões, você não é nada pra mim, e faz questão de deixar parecer que somos um casal! Você é louca! - Magnus saiu brutalmente.
Deixando-a lá e seguindo a Luce, sentindo seu cheiro.
- Luce? Volta, ela não é minha namorada, me deixe explicar. - Mas não havia resposta. Ela tinha se escondido. Magnus continuou a chamar e procurar-la. Viu um leve movimento nas folhas do labirinto e foi até lá, se enrolando um pouco nos caminhos confusos. Seguiu o cheiro inconfundível da garota. Então a viu, parada em frente a um lago e aproximando-se de sua pequena figura. Sussurrou, envergonhado - Luce, me desculpe por aquilo, ela é louca... deixe-me explicar.
Ela se sentiu um tanto irritada. Afinal, o que estava acontecendo com ela? Ela não podia simplesmente exigir algo de quem ela nem conhece. Mas ela sentiu algo, dentro dela, como se o conhecesse. Estava confusa. Ela sabia por que de seus olhos saiam sangue e não lágrimas comuns. Ela só não sabia por que estava acontecendo agora. Ela o viu por perto. Sua silhueta aparecia no reflexo da água do lado. Então respirou fundo, se ajoelhando, em frente ao lago e limpando o sangue de seu rosto. A cada toque daquelas gotas vermelhas, ela sentia como se o local estivesse pegando fogo. Ela olhou por sobre o ombro o rapaz ainda permanecia ali.
- Não precisa explicar. Volte para a festa, meu pai pode estar procurando por você. - ela murmurou baixo, sua voz quase não saia.
Luce era sempre forte, estava acostumada a enfrentar lobos, vampiros, bruxos... todo tipo de criatura. Ela aprendeu a lutar com espadas e descobriu poderes que envolviam seu signo e seu passado. Por que justo agora, ela estava tão frágil? Sentindo-se fraca, nao fisicamente, mas emocionalmente a garota bateu com força na água calma do lago, fazendo espirrar para todos os cantos, exceto nela mesma. Esses eram os dons de seu signo, controlar a água. Fora outros mais segredos que a envolviam.
Enquanto isso Magnus ouviu seu murmurio baixo, vendo-a ajoelhada. Ele não se moveu. Ficou alí, fitando-a. Ele sempre odiou ver alguem sofrer, pois sempre lembrara de si mesmo. Lembrava de seu passado conturbado, cheio de dor. Ele queria tirar isso da cabeça e esquecer pra sempre. Foi quando Luce bateu na agua, espirrando agua, molhando a ele e tudo a nossa volta, menos a ela, ele viu que ela era ainda mais especial que parecia. Foi então que ele reparou em suas lágrimas vermelhas rolando pelo seu rosto. Chocado, Magnus quis ajuda-la urgentemente.
- O que está acontecendo, você está bem? Tá acontecendo alguma coisa? - Magnus abaixou, ajoelhando-se ao seu lado, com seu rosto cheio de preocupação, pousando a mão em seu ombro.
Luce sentiu o toque leve de Magnus, o que fez com que ela se enchesse um calor diferente e um leve formigamento onde sua mão estava pousada. Ela deixou escapar um alto e profundo suspiro e olhou para ele assim que conseguiu remover a mancha de sangue de seu rosto. Luce se virou para ele, que estava tão perto, tão tocável. Podia sentir a respiração lenta dele, mas não podia ouvir seu coração. Logo ela se lembrou de que apenas ela era diferente e possívelmente tentada a morrer se revelasse qualquer segredo seu a algum dos convidados. Luce não conseguiu evitar, mesmo sabendo do que podia acontecer depois, ela esticou as mãos e levou até a face do rapaz, tocando a máscara que cobria seu rosto, com delicadeza ergueu a mesma, podendo ver os detalhes do maravilhoso rosto de Magnus. E o principal, pode ver seus encantadores olhos. Durante instantes ela ficou parada olhando-o sem saber o que falar ou fazer.
Magnus sentiu seu toque e deixou ser levantada a sua mascara, mesmo tendo receio de decepciona-la. Ele obsvervou seu olhar, e ficou corado, sem reação. Vendo-a, desejando ver sua alma, saber sobre tudo. O que ela gostava, de que ela precisava. Ele daria qualquer coisa que ela pedisse. Foi então que percebeu sua situação. Meio sem jeito, segurou na mão de Luce e levantou, trazendo-a consigo. Parado fitando-a, Magnus levou sua mão ao rosto dela, tentando guardar aquela imagem para sempre. Aquele rosto jovem, belo, delicado e acima de tudo, misterioso. Ela deixou-se ser guiada por ele, seu toque leve e frio causava leves arrepios que a fazia se encostar cada vez mais nele. Luce não conseguiu desviar os olhos dos dele. Eram fixantes, misteriosos e de certo modo verdadeiros. Ela nunca vira algo assim nos olhos de outros vampiros. Ela deslizou a ponta dos dedos pelos contornos dos olhos de Magnus, dexando escorregar pelos lábios avermelhados e macios, depois deixando as mãos pousadas no peito do rapaz. Magnus sentiu seu toque, e foi como se uma corrente elétrica atravessasse seu corpo. Ele estava em transe, e Luce também. Cada toque era uma descoberta. Magnus delicadamente colocou a mão em sua nuca, e aproximou seu rosto do dela, preparando-se para beija-la. Foi então que ele ouviu gritos. Era uma mulher. Relutantemente, Magnus desviou o olhar para o lugar de onde vinha o grito. Vinha de onde estavam, do balanço. Ele voltou sua atenção a Luce.
- O que será que aconteceu ?
Luce se assustou e olhou diretamente para onde vinham os gritos ao perceber que vinha do balando, disparou pela grama, passando rapidamente dentro do labirinto. Preocupada. Virou-se para ver se Magnus ainda estava perto dela. Diminuiu os passos ao vê-lo chegando e depois voltou a correr mais rapido. Magnus acompanhou a Luce, na mesma velocidade. Ele estava pertubado, aqueles gritos eram apavorados. Aqueles gritos a fizeram ter um forte deja vu. Ela fizera a mesma coisa quando ouviu os gritos de sua mãe. Luce balançou a cabeça, não poderia perder o foco, poderia estar acontecendo o mesmo com outra pessoa. Mas ao chegar lá Luce freou fortemente dando de cara com a outra garota que estava anteriormente com Magnus. Assim que o mesmo chegou ao local deparou-se com Margareth estendida no chão. Seu corpo congelou. O que acontecera? Quem fizera aquilo? Magnus correu até ela, segurando seu corpo sem movimento. Ainda havia respiração, ele precisava salva-la.

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