Já notou como, frente ao espelho, somos tão parecidos? Como também vai além da imagem. Vem de dentro e reflete em nossos olhares, nossos risos e nessa nossa imagem frente ao espelho, este que encaramos hoje enquanto eu escovava os dentes e você lavava o rosto. Tudo tão natural.
Fazem exatamente oito semanas três dias que te conheço. Sete semanas e três dias em que te sinto como meu primeiro amor. Seis semanas e três dias em que confirmamos não viver sem o outro. E há os que insistem em subestimar a energia a nossa volta. Já notou a loucura que nos cerca? Não parece tão comum a você, a minha presença em sua casa, andando pelos cômodos com a sua camisa? Pois para mim, é tão comum o seu cafuné enquanto aos poucos adormeço.
Coisas que me assustariam à oito semanas e um dia atrás, já me parecem engraçadas e normais ao meu cotidiano.
Não estou dizendo que não tenho medo. Eles vem, não há como escapar. Eles entram pela fresta da janela, sussurram ao meu ouvido, mas você os escuta e segura minha mão. Em situações em que qualquer um deixaria apenas a ausência, uma sombra ou carta, talvez. Você é presença.
Você: sinônimo de cais, âncora, querência.
Já notei que nesse mundo faltam pessoas com coragem de se apaixonar. Tão poucos aqueles dão a cara a tapa para viver algo assim. O tão mal falado amor. Aos que hasteiam a bandeira contra o amor, meu querido, nunca provaram desse nosso amor recíproco. Desconhecem a face dessa emoção ao encontrar-te. Foram todos enganados pela desilusão. Coitados, um dia alguém vem, assim como você veio a mim e, mostra que algumas quedas não machucam, que algumas viagens são extremamente prazerosas independente do destino.
Somos sortudos, sei bem dessa verdade. Mesmo com os tapas na cara, você continuou assim como eu, tenaz. Somos felizes à moda antiga. Eu já disse que amo esse nosso amor antigo? Que não finge, não força. Adoro quando fujo para seus braços e ali me embolo, te puxo, toco e sinto. Amores assim estão escassos. E digo, ser a primeira vez que provo isso. E quando se prova do melhor, querido, todo o resto perde o sabor.
Ao amanhecer, até o anoitecer é em ti que penso, meu amor.






