segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Meu navio, meu comando. (Texto + Trilha Sonora)

Eu não estava preparada para o fim e, muito menos para o recomeço. ou as cobranças de "seguir a vida". A vida segue, amigo, mas e se eu não quiser dar sequência a isso? Quero dizer, não há bifurcações nesse caminho ou rumos diferentes? Apenas discordo da afirmação de que devo prosseguir de onde parei. Com os mesmos sonhos, o mesmo salário, a mesma rotina, a mesma cama, a mesma ilusão de que está tudo bem. Sejamos honestos, nessas horas em que tudo é estilhaço, sempre haverá o medo de se cortar novamente. 

Foto por: @apolo.6 (insta)
Eu quero seguir uma estrada diferente, pegar carona na história de pessoas que nunca vi, mas que o destino coloca em filas de banco e mercados, praças e conduções. E que, de alguma forma, me ensinam algo, mesmo que seja o quanto as pessoas são loucas. Quero me aventurar em novas bocas, braços, mãos e pernas, sentir gostos diferentes e no fim não me perder dentro de mim mesma, conhecer um finito de sorrisos, olhares, sexos e perfumes. Quero ter a experiência de ser tudo o que desejo e enquanto estiver navegando, ainda espero poder me afundar num infinito de olhar, que me retribua e me encontre todas as noites.

Ainda espero, sim, aquela pessoa. Seja quem for. Espero que me faça sentir que tudo o que vivi foi bom, mas que com ele(a) é extraordinário. Quero manhãs com gostos de que vai ser diferente, quero sentir tudo, do pior ao melhor e assim saber que estou vivendo. Não dei minha cara a tapa nesse mundo para apenas sobreviver. Vou ter que fazer escolhas difíceis e outras nem tanto assim. Será que peço pizza de frango com catupiry, de quatro queijos ou continuo na dieta? Que se dane a dieta, nem sei pra quê as faço. Só sei que não quero a mesmisse que já vivi. 

Não quero metades, seja ela da laranja, da bala, do sorriso ou de alguém. É tudo ou nada. Quero confiança, em mim, em quem amo e no que faço. Quero beijos, na bochecha, na testa, nos olhos, na boca, barriga e mais embaixo... Ah, você entendeu. Eu quero aquele canto de sorriso gostoso repuxado e tímido, o frio e desconcerto de início de conversa. Quero os segundos encontros, a cama bagunçada, a provocação que precede os gemidos. Quero algo que me deixe leve, que não necessite de roteiro. Quero os fins de tarde de conversas jogadas fora. E as piadas que só entendo depois que todos já riram. 

Não espero que todos me compreendam nesse caminho, afinal não sigo o que o mundo acha bom, sigo o que guia meu riso a continuidade, o que acalma meu coração e traz paz a minha mente. E por ser assim, talvez como você que agora lê, lhe digo: os que desfazem as amarras, incomodam. Os que não desistem dos ideais, enlouquecem os tão acomodados. Me nego a sobreviver para ser o que esperam. Eu quero as minhas escolhas fazendo a minha vida, não o erro de terceiros desenhando a rota da minha felicidade. E quem não gostar pule fora e foda-se de qualquer jeito. Dos meus desejos e sonhos, do meu destino a capitã sou eu.



("Fuck you anyway" hahahahaha')