segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Amor em livros.

   Esta não será a última carta de amor que lhe escrevo, mas atente como se fosse. E confesso que prefiro o gosto de suas expressões quando declaro-me pessoalmente. Não me contento em apenas imaginá-las,

   Quero lhe contar o quão extraordinário seu sorriso pode ser. Um sorriso de oito graus na Escala Ritcher, eu descreveria. Um riso que quebra qualquer utopia, uma alegria ser tão real. Uma boa realidade ao alcance do coração. E se o essencial é invisível aos olhos e apenas enxergado com o coração, meu pequeno príncipe, és essencial para mim. Com você sorrindo assim, de volta para mim, me sinto arremessada na décima nuvem. Nos ares dos seus encantos, percebo em seus olhos um brilho estonteante, resquícios da Via Láctea, que me guiam nessa viagem intergaláctica. Nesse universo de olhar és pó de lua.
   Sei que já confessou que a garota que você deixou para trás, já não lhe trazia mais aquela paz. E que o morno não lhe satisfaz. Eu entendo. Mas posso ser diferente. Sabe, você veio para somar. Como eu era antes de você? Alguém comum, tentando ser a garota exemplar, mas que temia falhar. Até você mostrar, que não há problema em errar. Antes disso, eu segui por cidades de papel, em busca de abrigo. Mal sabia eu do perigo de prender sentimentos em gaiolas. Mas uma curva na estrada uniu meu caminho tão divergente ao seu.
   Um pedido às estrelas que foi realizado. 

   Desde então, sabes que estarei aí, pode chover, fazer sol ou até mesmo nevar. O que é que tem de mal? Deixe a neve cair, que assim a gente pode dividir o edredon, se aquecer e conhecer mais do outro. O que digo é que até nos maus tempos, estarei aqui. Fácil como um mais um. E no fim do dia, como o equinócio, venho para igualar a energia nas loucuras da rotina. 
   Lhe digo mais, farei os momentos valerem o galinheiro, não apenas a pena. Se com isso sorriu, já me contenta.
   A graça da coisa, foi você com seu jeito torto, em meio a tudo me arrancar um sorriso ou dois, e depois, adentrar meu universo particular. Me deixar em chamas. E enfim libertar meus sentimentos guardados. Afinal porquê se aprisionar se isso lhe impedirá de se apaixonar? Você me ensinou que para aprender a voar, é preciso se arriscar.



domingo, 30 de agosto de 2015

Uma chamada às duas da manhã.

Foge pra cá. Se teltransporta sei lá, mas vem. Deixa eu te esquentar, beijar e acariciar sua pele, seu corpo e alma. Te trazer a calma. A paz de um dia olhando o mar e uma noite de estrelas, como pequenos diamantes a brilhar. Me deixa navegar, por teus sonhos passear.
Foge pra cá, mas sem hora pra voltar. E se partir, há de vir a ser aconchegante ao menos o seu cheiro na minha pele, cobertor e travesseiro. Me deixa o desejo e a esperança de te ver, de um jeito novo, voltar. E essa ânsia de nos teus braços ficar.
Foge pra cá, esquenta esse meu lado frio da cama. Ah, esquece o frio lá fora, esquece o trânsito, a tua hora de acordar. Vem, que eu te trago o café da manhã na cama, mas isso deixa para quando amanhecer. Por enquanto, penso só no eu e você. Pode me chamar de louca, mas ainda mais doida é necessidade de beijar tua boca e inebriar o quarto com seu cheiro e sabor. Faz um favor? Esquece tudo o que não te faz bem.
Só vem.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Para aquele que deseja navegar-me


Ei rapaz, atente ao que lhe mostro, aposto, agora descrevo-te sob minha perspectiva. Dessa forma mostro-me como iniciativa. Sempre lhe contei sobre meu fascínio por olhares, desde os mais breves, encontrados ao se perderem, por um magnetismo casual. O acaso em um banco de ônibus, ou numa fila qualquer. Até aqueles no qual me prendo, fixos, sigilosos e que carregam mistérios de uma história ainda não contada. Encontro em teu olhar risonho e apressado, a resposta imediata ao meu elogio. No teu olhar calmo, o mar que desejo navegar e quando em brasas, não temo me queimar.

Escrevo-te sobre seu encanto, seu sorriso tímido que me faz querer elogiar-te mais, só para experimentar sua falta de resposta. A nossa aposta sempre em cima da uma proposta de calar a voz e abrir o coração. Enxergar sempre o “nós” a cada emoção. A tua gargalhada alta e sem o mínimo controle, assim como meu impulso de lhe beijar naquele exato momento, que descontrola meus batimentos cardíacos.Revelo, por meio desta escrita sem jeito que, quando tuas mãos apertam a minha cintura e, sem cerimônia, me conduzem junto ao seu peito, sinto sua pulsação. Não deixe de fazer isso, tens então toda a liberdade de tomar-me por completo. Sacia-te até a última gota de bom senso. Então, se entre os nós dos seus dedos entrelaça meus cabelos, moldando-me nesse pré-beijo, as asas batem tão forte em minha barriga que, acredito, poderia alçar vôo bem a sua frente. No entanto, se me debato em seus braços, histérica, por alguma razão qualquer, mesmo que eu lhe implore liberdade, não afrouxe, não permita-me fugir. Aperte-me mais, faz com que eu me perca no teu calor e me encontre no seu perfume. Faz com que eu entenda o que me diz, não se faz necessário o uso de palavras, apenas preciso sentir que estás aqui. Se há perigo, fuja comigo. Mas não corra o risco de me deixar partir. Não ceda os braços até que minhas mãos estejam no seu cabelo e minha boca encontre a sua. Assim, confesso-te meus defeitos, desejos e me deixo ser desvendada, sem proferir uma palavra. Deixo que me invada, navegue em meus mares. Tome o leme, seja minha âncora, meu cais.