quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Para aquele que deseja navegar-me


Ei rapaz, atente ao que lhe mostro, aposto, agora descrevo-te sob minha perspectiva. Dessa forma mostro-me como iniciativa. Sempre lhe contei sobre meu fascínio por olhares, desde os mais breves, encontrados ao se perderem, por um magnetismo casual. O acaso em um banco de ônibus, ou numa fila qualquer. Até aqueles no qual me prendo, fixos, sigilosos e que carregam mistérios de uma história ainda não contada. Encontro em teu olhar risonho e apressado, a resposta imediata ao meu elogio. No teu olhar calmo, o mar que desejo navegar e quando em brasas, não temo me queimar.

Escrevo-te sobre seu encanto, seu sorriso tímido que me faz querer elogiar-te mais, só para experimentar sua falta de resposta. A nossa aposta sempre em cima da uma proposta de calar a voz e abrir o coração. Enxergar sempre o “nós” a cada emoção. A tua gargalhada alta e sem o mínimo controle, assim como meu impulso de lhe beijar naquele exato momento, que descontrola meus batimentos cardíacos.Revelo, por meio desta escrita sem jeito que, quando tuas mãos apertam a minha cintura e, sem cerimônia, me conduzem junto ao seu peito, sinto sua pulsação. Não deixe de fazer isso, tens então toda a liberdade de tomar-me por completo. Sacia-te até a última gota de bom senso. Então, se entre os nós dos seus dedos entrelaça meus cabelos, moldando-me nesse pré-beijo, as asas batem tão forte em minha barriga que, acredito, poderia alçar vôo bem a sua frente. No entanto, se me debato em seus braços, histérica, por alguma razão qualquer, mesmo que eu lhe implore liberdade, não afrouxe, não permita-me fugir. Aperte-me mais, faz com que eu me perca no teu calor e me encontre no seu perfume. Faz com que eu entenda o que me diz, não se faz necessário o uso de palavras, apenas preciso sentir que estás aqui. Se há perigo, fuja comigo. Mas não corra o risco de me deixar partir. Não ceda os braços até que minhas mãos estejam no seu cabelo e minha boca encontre a sua. Assim, confesso-te meus defeitos, desejos e me deixo ser desvendada, sem proferir uma palavra. Deixo que me invada, navegue em meus mares. Tome o leme, seja minha âncora, meu cais.

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