A cada dia que se passava, todo aquele novo mundo para mim se tornava fácil. Eu entendia as coisas, os problemas das pessoas ao meu redor. Os meus futuros problemas. Bernardo, agora, aparecia sempre que eu estava sozinha. Meu quarto havia se tornado um ponto de encontro para nós dois, um refúgio do resto do mundo.
- Ángel, eu to... com medo - assumiu ele num tom baixo e triste. Seus olhos se lançaram aos meus e eu pude ver, sentir, a dor que eles transmitiam. Bernardo se arriscou demais ao escolher vir ao meu encontro e permanecer ao meu lado.
- Não precisa ter medo, Bernardo. - Tentei acalmá-lo. Me sentei ao lado dele na cama e o abracei.
- Ingrid, você já imaginou o que vai acontecer se Lu... aquela coisa aparecer de novo? - ele me fitou, os olhos aflitos qeriam achar alguma saida para que os dois saissem vivos. - Eu não estou preocupado comigo, mas com você. Eu já matei demais, já fiz besteiras demais... mas você não. Você é um anjo. Meu anjo.
Fiquei sem palavras, enquanto sentia meu coração acelerar um pouco. Ele balançou a cabeça e se levantou, me dando um beijo.
- Quedarse bien, Ángel. - ele sussurrou baixo em minha orelha - Por favor, toma cuidado. Eu já irei voltar, antes que a lua venha ao seu encontro.
- Irei ficar esperando. - disse e sorri antes que ele me beijasse.
E eu realmente fiquei esperando. Três, quatro horas e nada de Bernardo voltar. Me levantei da cama, indo até a janela. Fiquei surpresa ao ver a lua. Lua azul, um fenômeno que ocorre a cada dois ou três anos. É realmente uma lua muito linda, vista por meus olhos ela parecia encantar. Vi uma forte luz clarear meu quarto, meu bracelete estava refletindo o luar, só que muito, muito mais forte. E então um vulto passou bem em minha frente, me levando ao chão.
- Da próxima vez toma mais cuidado, Bernardo. - resmunguei ao me levantar. - Bernardo? - disse após ver outro vulto passar atras de mim. Mais difuso, diferente - Qual é, não tem graça isso.
- Sinto em lhe informar, não sou o Bernardo - Disse uma boz baixa atrás de mim, uma voz rouca e cheia de amargura. A luz de meu bracelete estava muito forte, ela nunca ficava assim perto de Bernardo.
Me virei rápidamente, mas encontrei o nada. Então senti fortes braços me segurarem. A sombra dos mesmos me envolveu. E ao mesmo tempo em que senti o toque dele, pude ver o que ele queria me mostrar. Era ele, ele que matara minha família. O desgraçado que tirou meus pais de mim. Ele percebeu o meu ódio e riu. Sim, ele riu. Em seguida passou os dedos sujos em meu rosto.
- Quem é você? - perguntei.
- Sou quem você mais odeia e mais teme. - Ele murmurou próximo ao meu ouvido. - Eu vejo o ódio em seus olhos e sinto o medo em sua pele. Você criancinha, vendo eu matar um por um que você amava. Mas eu deixei uma garotinha viver. Prometi que um dia ela iria entender o por que. Adivinha? Esse dia chegou. -ele fez uma pausa e me soltou - Essa garotinha tem que morrer.
Meus olhos ficaram prata e minhas asas apareceram. Me virei e pude ver o rosto do filho da mãe. Era completamente diferente do que eu imaginava. Era belo aparentemente, mas pude ver o interior dele, onde tudo era apodrecido e frio. Um canto me chamou mais atenção, o coração, tão negro, tão escuro e morto.
Quando o servo se aproximou de mim, antes que eu me movesse, vi outro vulto rápido se por em minha frente. O cabelo negro e as roupas antigas me deram a certeza de quem era. Bernardo, me olhou, novamente a expressão de dor o inundou. Em um segundo ele estava em minha frente, em meu quarto, no outro, eu estava sozinha com o outro servo em cima de um penhasco.

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