Eu era uma garota normal com uma vida tranquila e completa, meus pais eram legais. Chatos, mas eles só queriam o meu bem. Mas eu não percebia isso, quando finalmente percebi o que eles tentavam fazer por mim era tarde demais. O estranho monstro no meio de minha sala já havia feito sua tarefa. Meus pais estavam caídos e sangrando muito, sem batimentos cardíacos ou qualquer outro sinal de vida. Foi estranho, mas ele me deixou viva. O monstro se aproximou de mim, olhando meus olhos e logo depois correndo os olhos por meu corpo até um bracelete antigo que eu usava, o objeto que minha mãe me dera dois dias antes daquele horrível encontro com a morte. Ela havia dito, com seu tom suave como pétalas de rosa: " Isto irá lhe proteger de qualquer coisa.", de inicio eu não entendi, assim como não entendi o motivo daquele ser me deixar viva. Mas ele disse a mesma coisa que minha mãe, quando eu perguntei o por que " Quando for a hora você vai entender". O bracelete soltou faiscas fortes e claras o bastante para iluminar a sala de minha casa, por completo. Apenas anos após esse acontecimento, aos meus vinte anos, eu fui entender. Tudo aconteceu de repente.
Eu estava em meu antigo quarto, na casa onde meus pais foram mortos, quando vi um vulto imenso e difuso. Foi estranho mas eu não senti medo. O bracelete - que eu nunca mais havia tirado do braço - brilhou novamente e finalmente pude ver o rosto da mesma criatura. Era mais sombrio do que eu imaginava. E ao contrário do que eu pensava, era humano. Seus olhos mostravam quão hostil era. A cor branca de sua pupila e o contorno vermelho da mesa causava arrepios em minha espinha. Seu traje completamente fora de época me deixou confusa, assim como o fato dele não possuir batimentos cardíacos. Me espantei quando sua mão esquerda foi levada a minha cintura, enquanto sua mão direita tocou meu rosto suavemente. Seu toque era quente e frio ao mesmo tempo. Como se sua pele fosse quente para esconder o quão fria era sua alma. Recuei um passo, mas de nada adiantou, ele foi levado junto com meu corpo. Então como se fossemos namorados, ele me beijou e fui tomada por uma sensação de ódio. Foi onde tudo desencadeou de vez.
Senti minhas costas rasgarem um pouco, como se um corte enorme tivesse sido feito em minha pele. E quando virei meu rosto, vi duas enormes asas cor de prata. Então, em um outro vulto ele sumiu. Meu bracelete, que irradiava um luz forte, passou a irradiar uma luz fraca, que assim foi tomando meu corpo. Em frente a mim, um espelho mostrava tudo o que eu me transformara. Me aproximei mais e levei minhas mãos para trás, tocando de leve minhas asas de anjo. Fixei meu olhar no espelho e vi que minhas pupilas, invés de castanhas estavam prata, tão prata que quase não conseguia vê-las em contraste com o branco. Fechei meus olhos por instantes e pude ouvir os passos lentos e calmos de Tayanne, subindo lentamente as escadas. Minha amiga deve ter ouvido algo. Desejei que eu voltasse a ser humana novamente. E quando abri meus olhos novamente e me olhei no espelho, as asas haviam sumido e meus olhos estavam na cor natural.
- Ingrid? - Olhei Tay, entrando no quarto e sorrindo para mim - Está tudo bem?
- S-sim - gaguejei um pouco e retribui o sorriso de minha amiga. - Só acabei de... acordar. - Esperei esperançosamente que ela acreditasse nisso.
- Hum... Bom, só vim saber isso mesmo. - Ela voltou a porta e me mandou um beijo - Até a festa.
Em minha mente ouvi a voz de minha mãe dizendo " Bem vinda a esse novo mundo, meu anjo". E após ouvir a voz dela, senti uma nova onda de sentimentos distintos invadir meu corpo. Então era isso, eu estava fadada a um destino diferente ao dos demais. Meu destino imortal, eternamente um anjo. E o que isso realmente quer dizer?

ameeeeeeei *----*. quero mais Q.
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