Ele mora longe dos pais, carrega uma bagagem considerável pelas voltas que a vida dá. Vive em translação. Seu sol? O começo de toda emoção. Enquanto ela, que carrega sua mala vazia, quer enchê-la com o que a conquista pelo caminho, seja um objeto ou uma lembrança boa.
Apesar de se denominar uma ilha de difícil localização, está mais acessível do que aparenta, sendo assim para boas conversas e novas presenças. Ela é coração, para ele pura comoção.
Ele louco por um novo recomeço em algum novo lugar. Ela em busca de um lar, não quer apenas ficar, quer seu bem-estar. Ele procura um motivo que fará valer todo esforço. Ela quer mudar os móveis de lugar, mudar a si para transformar o que está ao seu redor. Mas ambos buscam encher os ares de sentimentos e momentos a serem lembrados. Ele toca violão. Ela escreve sobre amor.
Ele a toca. Ela o descreve.
Enquanto para um bastam as respostas, para o outro o que lhe impulsiona são as altas apostas. Sonhos altos. Felicidade em pequenos momentos. Pequenos grandes saltos. Não estar em constante confinamento. Ser livre. Em eterna busca de um equilíbrio entre o racional e o espontâneo, desprezam algo apenas momentâneo. Ele quer fazer. Ela deixa acontecer.
Ela deseja inspiração, ele gosta de inspirar, deixar no ar as razões para ela continuar a sonhar. Apesar de peças diferentes, se mostram contentes com a realidade aparente.
O sorrir dela, impulsiona seu ritmo cardíaco.
No abraço dele, a fuga do perigo.
Talvez mais que um amigo.
Um mais um, são dois sorrisos, que em busca de abrigo se entregaram ao deleito de ter alguém em quem confiar, nas diferenças uma chance de mostrar e reconhecer que nenhum quebra-cabeça se completa com peças iguais. E que para entrar nesse mar, não se pode ter medo de navegar.
Ela tão presa, ele tão solto.
Nos dias ruins, um lembra o outro que nenhum mar é sempre revolto.
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