sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A procura de um lar.

Devagar, sem passos largos, o coração volta para casa. Com a audácia de um sorriso renovado. Aparência saudável e a calma inabalável. Volta ao compassado ritmo, nesse tempo que não passa, mas sádico, se arrasta. Apesar de ter acabado de chegar de onde brisas eram furacões, esse meu coração não perde o costume de esperar.
Espera por alguém. Por ti, você mesmo, sentado no sofá, sem nem mesmo pensar que poderia esbarrar em alguém com tanta coragem de se entregar.
E ele espera. 
Seja uma surpresa no começo da noite, uma visita que derrube essa estabilidade, ou que venha para matar a vontade. Pois se vem, abre as portas e marca presença nesse lugar tão cansado de ausências. Marca com sorrisos e sentidos, voz e arrepios. Se não vem, ou não tem a intenção de ficar, não dê esperanças, dê meia volta. Essa casa não mais aguenta o descompasso e o cansaço de esperar, de ansiar por algo que não almeja ficar.
Mas, no fundo, sabe que um dia virá. 
Quando chegar, fica por uma hora ou um dia. Fica o quanto eu te fizer ficar, prometo nunca parar de tentar. Esse coração é teimoso.
Mesmo que demore. Mesmo que dê mais voltas. Amores se encontram todos os dias, entre as curvas, becos e cafés. 
Mas dessa vez o coração volta, pelo longo caminho, como um barco que reencontra seu porto no mar. Ele volta para casa, mas sem ainda encontrar seu lar.
E então, ele te espera chegar para mudar tudo e recolocar em seu devido lugar, segundo o seu jeito de amar.




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