segunda-feira, 18 de junho de 2012

Trecho do meu livro (Lágrimas de Sangue), espero que gostem...

- Se sempre me amou, por que me deixou? – Ela limpou a garganta – Quero dizer, quem ama não abandona o outro, não é?
Brian se distanciou um pouco e isso fez com que Sophia sentisse um vento frio passar por ela. E em seguida sentiu todos os olhares – alguns de reprovação e outros de receio – voltados a ela.
- Não tive escolhas. – Ele desviou o olhar.
- Todos têm escolhas. - Ela disse um pouco mais baixo.
Lucas se aproximou, mas Brian estendeu a palma da mão, sinalizando para que ele parasse.
- Eu não.
- Por quê?
- Sophia, eu não tive escolhas. Tive que te deixar. – Ele disse em um tom mais firme. – Bem, isso não importa...
Sophia recuou alguns passos, se distanciando de todos.
- Isso não importa? – Ela não podia acreditar no que ouvira. – O que importa para você então?
- Sophia, você não pode se alterar – Uma voz mais suave falou, era Anita. Até mesmo ela, que era sua melhor amiga escondera isso dela. Toda sua vida foi uma mentira.
Seus olhos estavam vermelhos e transbordando. Brian havia se calado, parecia nervoso, mas tentava se controlar.
- O que importa para você, Brian? – Sophia estava sendo dura até consigo mesma.
- Sophia, depois que Luna morreu eu não sabia o que fazer. Não tinha razões para...
- Ficar? – Ela interrompeu.
- Não seguir meus caminhos. Não tinha razão para não seguir meus deveres como anjo guardião.

- Eu não era uma razão suficiente? – Pela primeira vez se sentiu como uma criança de oito anos, assim como era quando seu pai a deixou.
- Você não entende...
Sophia olhou para todos, demorando-se mais naqueles que conhecia e que amava. Sem demoras ela começou a caminhar até o portão de onde havia adentrado aquela arena. Mas foi impedida de prosseguir.
- Sem teatro Sophia. – Brian disse duramente – Você não consegue entender a minha luta... Não consegue entender o que passei... Toda a dor, você não consegue entender.
- Você entende a minha? – Sophia começou, segurando o choro firmemente - Todos os dias eu rezava para que você voltasse e me tirasse daquele orfanato. Rezava para que estivesse tudo bem contigo. Procurava algum lugar para por a culpa de você ter ido embora, me abandonado. Algumas vezes culpava a mim. Você sabia disso? Eu culpava a mim por seu sumiço. E agora eu vejo você aqui e sei que você foi embora por escolhas suas. – Ela olhou firmemente nos olhos dele – Saber que eu não fui uma razão suficiente para você ficar. – As lágrimas já desciam contra vontade da menina – Acha que eu não entendo o que é dor? Não é suficiente para você isso?
Não se ouvia mais nenhum som além da respiração acelerada de Sophia.
- Sophia... – Lucas gritou ao longe.
- Eu esperei você durante dez anos. Eu chorava todas as noites e você não estava lá. – Sophia ignorou o grito – Cheguei a pensar que você estava morto. Mas tudo não passou de uma mentira.

- Uma mentira necessária...
- De qualquer forma você nunca estava lá. – Gritou – Nem antes, nem depois de me abandonar no orfanato.
- Tá errada. – Aaron e Brian disseram em uníssono.
- Não, não estou.
Ela o contornou e chegou ao portão. Abrindo o mesmo quando ouviu seu pai dizendo baixo, dentro da sua mente: “Mesmo que não possa ver, eu estou aqui! Acredite no invisível, acredite em mim.”.


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