- Se sempre me amou,
por que me deixou? – Ela limpou a garganta – Quero dizer, quem ama não abandona
o outro, não é?
Brian se distanciou
um pouco e isso fez com que Sophia sentisse um vento frio passar por ela. E em
seguida sentiu todos os olhares – alguns de reprovação e outros de receio –
voltados a ela.
- Não tive escolhas.
– Ele desviou o olhar.
- Todos têm
escolhas. - Ela disse um pouco mais baixo.
Lucas se aproximou,
mas Brian estendeu a palma da mão, sinalizando para que ele parasse.
- Eu não.
- Por quê?
- Sophia, eu não
tive escolhas. Tive que te deixar. – Ele disse em um tom mais firme. – Bem,
isso não importa...
Sophia recuou alguns
passos, se distanciando de todos.
- Isso não importa?
– Ela não podia acreditar no que ouvira. – O que importa para você então?
- Sophia, você não
pode se alterar – Uma voz mais suave falou, era Anita. Até mesmo ela, que era
sua melhor amiga escondera isso dela. Toda sua vida foi uma mentira.
Seus olhos estavam
vermelhos e transbordando. Brian havia se calado, parecia nervoso, mas tentava
se controlar.
- O que importa para
você, Brian? – Sophia estava sendo dura até consigo mesma.
- Sophia, depois que
Luna morreu eu não sabia o que fazer. Não tinha razões para...
- Ficar? – Ela
interrompeu.
- Não seguir meus
caminhos. Não tinha razão para não seguir meus deveres como anjo guardião.
- Eu não era uma
razão suficiente? – Pela primeira vez se sentiu como uma criança de oito anos,
assim como era quando seu pai a deixou.
- Você não
entende...
Sophia olhou para
todos, demorando-se mais naqueles que conhecia e que amava. Sem demoras ela
começou a caminhar até o portão de onde havia adentrado aquela arena. Mas foi
impedida de prosseguir.
- Sem teatro Sophia.
– Brian disse duramente – Você não consegue entender a minha luta... Não
consegue entender o que passei... Toda a dor, você não consegue entender.
- Você entende a minha? – Sophia começou, segurando o
choro firmemente - Todos os dias eu rezava para que você voltasse e me tirasse
daquele orfanato. Rezava para que estivesse tudo bem contigo. Procurava algum
lugar para por a culpa de você ter ido embora, me abandonado. Algumas vezes
culpava a mim. Você sabia disso? Eu culpava a mim por seu sumiço. E agora eu
vejo você aqui e sei que você foi embora por escolhas suas. – Ela olhou
firmemente nos olhos dele – Saber que eu não fui uma razão suficiente para você
ficar. – As lágrimas já desciam contra vontade da menina – Acha que eu não
entendo o que é dor? Não é suficiente para você isso?
Não se ouvia mais nenhum som além da respiração
acelerada de Sophia.
- Sophia... – Lucas gritou ao longe.
- Eu esperei você durante dez anos. Eu chorava todas as
noites e você não estava lá. – Sophia ignorou o grito – Cheguei a pensar que
você estava morto. Mas tudo não passou de uma mentira.
- Uma mentira necessária...
- De qualquer forma você nunca estava lá. – Gritou – Nem
antes, nem depois de me abandonar no orfanato.
- Tá errada. – Aaron e Brian disseram em uníssono.
- Não, não estou.
Ela
o contornou e chegou ao portão. Abrindo o mesmo quando ouviu seu pai dizendo
baixo, dentro da sua mente: “Mesmo que
não possa ver, eu estou aqui! Acredite no invisível, acredite em mim.”.
Muito bom , você tem muito talento . Continue assim
ResponderExcluirNK.
Obrigada anjo.
ExcluirMuito bom Mah... ^^
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